O último dado divulgado pela Secretaria de Estado das Cidades, Habitação e Desenvolvimento Regional (SECIHD) apontava que quase 30 mil famílias do Tocantins estão inscritas em programas habitacionais e esperam por uma moradia própria. Mais de 300 mil pessoas que não possuem meio de transporte próprio, se valem da gratuidade do transporte coletivo, só na Capital, conforme já divulgou a Prefeitura de Palmas. Mais de 90% da população tocantinense, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) é dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) e se ver obrigada a padecer na fila de espera por cirurgias, leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), leitos em hospitais desestruturados e vez ou outra ameaçados com a possibilidade de perder serviços vitais como a hemodiálise, por falta de pagamentos.
Além disso, muitas famílias são esfaceladas pela violência, com homicídio e feminicídio, que só este ano registrou três casos na primeira semana e o Tocantins tem uma taxa geral de analfabetismo de 6%, com 23% da população idosa analfabeta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ainda tem que frequentar escolas com tetos caindo e estrutura precária.
Nada disso é novidade, visto que já foi amplamente divulgado na imprensa tradicional e nos centenas de perfis de Instagram que nos últimos anos se proliferaram em todo o Estado. O escancarado aqui é a falta de empatia, de responsabilidade, de noção, de discernimento e de compromisso com a população, que foi demonstrada pelo governador e o vice-governador que ganharam os holofotes e seguem protagonizando uma briga insignificante por uma sala de luxo no Palácio Araguaia; por carros de luxos custeados pelo Estado para se deslocarem (visto que todos têm condições de comprar os seus) e por aparato das forças de segurança oficiais que mal têm contingentes para proteger a população.
Já se ouviu e leu-se ponderações sobre a legalidade do ato de Wanderlei Barbosa de expulsar Laurez Moreira do Palácio e a chance que o vice teve de voltar ao centro dos debates, após o governador ser reconduzido ao cargo, que tinha sido afastado pela justiça, por suspeita de corrupção. Nenhum debate olha para quem realmente importa: a população que depende das políticas públicas.
Aliás, os debates sobre as políticas públicas ficou nas gavetas de quem nos últimos meses tem se preocupado apenas em mostrar erros alheios. Sim, Laurez passou três meses tentando mostrar que a gestão Wanderlei era corrupta e ao retornar ao cargo, Wanderlei tenta provar que Laurez teve atos passíveis de punição.
No meio do caldeirão de discussões frívolas entres os gestores eleitos em 2022, figura o ex-governador Mauro Carlesse que mesmo depois de cassado, tenta a todo custo protagonizar no cenário político, com vídeos inflamados em suas redes sociais. O foco? Não se iluda, nunca será a população.
2026 já começou e em outubro haverá novas eleições. Resta saber se a população tocantinense terá opção empática com seus problemas e, se tendo, terá o discernimento para escolher gestores que lutem por moradia, qualidade de vida, saúde pública melhor, educação e segurança.
