A indígena Tainá Marrirú, do povo Iny Karajá, entra para a história ao representar o Tocantins no Miss Brasil Mundo. Ela é a primeira mulher indígena de um povo originário a disputar o título nacional. Natural da Aldeia Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal, em Lagoa da Confusão, Tainá leva ao concurso uma trajetória marcada por educação, ciência, esporte e ativismo social.
Aos 25 anos, Tainá é formada em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e atua como pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Seus estudos foram desenvolvidos no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Araguaia, com foco na promoção da saúde mental em comunidades indígenas. Os trabalhos se tornaram referência para ações voltadas ao bem-estar psicológico em aldeias do Tocantins.
Além da carreira acadêmica, Tainá construiu uma sólida trajetória no esporte. Ela é atleta e treinadora de voleibol, credenciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), e atua como professora da rede pública do Estado de São Paulo. Fluente em português, inglês e inyrybè, língua de seu povo, transita entre diferentes espaços sem abrir mão da identidade indígena.
Engajada há cerca de dez anos em causas sociais, Tainá é idealizadora do Projeto Ahãdu, iniciativa que promove o desenvolvimento físico, social e emocional de crianças indígenas por meio da integração entre esporte, educação e fortalecimento cultural. O projeto nasceu a partir de suas pesquisas acadêmicas e da vivência direta nas aldeias.
A relação com concursos de beleza começou ainda na adolescência. Aos 16 anos, representou o Brasil no Miss Teen Mesoamérica Internacional, em 2019, quando conquistou o terceiro lugar. Desde então, passou a enxergar os concursos como ferramentas de visibilidade e transformação social.
Segundo a organização do Miss Tocantins, a participação de Tainá representa um avanço na diversidade do concurso ao ampliar a presença de mulheres indígenas em espaços historicamente restritos. Sua candidatura carrega um discurso que une ciência, cultura e política, reforçando a valorização dos povos originários, a defesa dos territórios e o cuidado com a saúde mental nas comunidades indígenas.
